O Homem dos Tempos Modernos



Já não há homens como antigamente. Aqueles príncipes que apareciam em cavalos brancos todos loiros, e musculados…ou morenos e também eles musculados. Sim que o músculo é fundamental! Não, já não há cá nada disso.

Alguns são inclusivamente os próprios dos cavalos. Ah pois é, meus xuxus, é assim a vidinha!

Imagine-se que já nem nos senhores que andam com carrinhos de comida atrás se pode confiar. Não é um cavalo branco eu sei, mas um carrinho de comida também dá muito jeito.

Está aqui uma pessoa morta de fome à espera que eles apareçam e nada. Bem pode uma singela rapariga falecer de fome que eles não aparecem e nem querem saber. Não fazem nada para a salvar. Nadinha.

Se uma rapariga quer ser salva de uma morte prematura e esfomeada mais vale trazer um lanchinho de casa, porque se vamos contar com os senhores dos carrinhos de comida bem podemos esperar sentadinhas, que os homens de hoje em dia já não se ralam.

Antes ainda havia aqueles que davam beijos às moças em coma após a ingestão de maçãs envenenadas. Agora… Ohhhhh “tás em coma? Dentro de uma sepultura transparente? Rodeada de flores e de bichos? Aiiii filha não te posso ir ai beijar que as flores fazem-me urticária!”.

Isto é um verdadeiro descalabro… É escandaloso até! O que é feito dos homens que nos prometeram em crianças?? Onde andam eles? Alguém avistou um desses?

Aqueles, prontos para qualquer eventualidade, capazes de despertar uma rapariga após se esvair em sangue por se ter picado numa roca! Que saltam muros e fronteiras, nos seus cavalos esplendorosos, desafiam dragões e exércitos! Que é deles? Não os há. Não há não!
Pelo menos que eu conheça!

Se encontrarem por aí um, avisem!

É que já nem há necessidade de uma pessoa deixar crescer o cabelo infinitamente e se enclausurar numa torre muito alta, porque eles são bem capazes de dizer que se recusam a trepar por cabelos espigados e piolhosos!

É que parecendo que não, manter um cabelo de quilómetros de comprimento imune à bicharada é lixado! Nem o quitoso salva aquilo. É bem lixado mesmo, que o diga a Rapunzel! E os litros de champô que se gastam para o lavar? Uiiiii meninas não vale a pena!

Portanto minhas caras senhoras, não vão em cantigas que isto já não é como antigamente!

Os Autarcas Aqui do Burgo



Há muito tempo que não posto aqui palermices...

Pudera.

Entre o sufoco da crise, a aversão a esta nova interface do blogger (ó Googler's... Vão para o caralhinho, sim?) e as ideias para a criação de um outro (blog), que por hora ainda não passam disso mesmo, não tenho tido grande disposição para vir aqui divagar.

Convidei uma velha amiga destas andanças para vir, também ela, mandar práqui umas postadelas bestas como só ela sabe, vamos ver se ela aceita para isto animar!

Mas o que eu ia a dizer era que ontem, estava eu no barbeiro, e por entre as habituais e verídicas estórias aqui do burgo, que ele com tanto à vontade e boa disposição vai contando aos clientes de todas as idades, sobressaiu esta:

Tinha vindo uma vez aqui uma comitiva de uma outra cidade europeia com a qual esta está geminada (mais um entretém para fazer com que alguns ganhem uns trocos extras, mas utilidade? ZERO), e o presidente da cãibra, indisponível (deve ter-lhe dado uma caganeira com o jantar da noite anterior), enviou em sua substituição, o seu vice, que por incrível que pareça, tem ainda menos parlapié do que o dito (dizer que é "pouco" seria pecar por excesso, mas pecar de uma tal maneira que, existindo a tal afterlife, good and evil, e tal, tenho para comigo que o meu castigo seria pior que o do Hilter no filme "Little Nicky).

Conclusão: o homem sobre ao palco, e na hora de orar, tremendo que nem varas verdes e suando mais que um porco no verão, dirige-se ao púlpito e, no momento decisivo, de forma quase inaudível e gaguejante, sai o brilhante discurso: "G-gostaríamos de agradecer a todos os presentes, p-por terem estado presentes... O-obrigado..." E vai-se embora.

Consta-se que os "fun funs" entre o público presente foram mais audíveis que o próprio "discurso", mas quem esteja habituado a viver aqui, nada disto é uma novidade, apenas os representantes da tal cidade ficaram boquiabertos com o excesso de competência dos nossos autarcas! ;)

SerBOIço (em) Público


Existem muitas coisas que ultrapassam em muito a minha compreensão. Umas tiram-me o sono, outras não.

Não me considero uma pessoa extraordinariamente inteligente, porém, ninguém me fez uma esmola, ao levantar-me as da frente (não levem a mal, o facto de eu não empregar o ditado completo, o meu (cada vez mais) extremista e mal humorado ateísmo não mo permite).

Touradas.

Foda-se!

Eu até me calava, se fosse apenas mais uma prática "underground", com meia dúzia de atrasados mentais a sustentá-la... Mas, numa época em que muitos de nós lutam para conseguir comer, existir um pseudo serviço de televisão público (pago com o dinheiro dos contribuintes) que dê horário nobre a um dos mais degradantes pseudo espectáculos que a humanidade jamais conheceu, é algo que me deixa (ainda mais) desapontado com este país.

Como é possível que os poucos que têm coragem de ir para a rua protestar, sejam literalmente atropelados por um dos intervenientes desse circo de horrores, sem que (quase) ninguém se importe, e depois nos mostrem, em directo, CRIANÇAS de 5, 6 anos em ÊXTASE, a aplaudir de pé esses mesmos criminosos?

Gostava muito de mandar...

Entre acabar com as touradas, com as praxes, ou fazer cumprir várias alíneas da constituição que actualmente só lá estão para fazer rir quem não anda a dormir (ex: o suposto laicismo oficial da nossa nação) (AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!), desconfio que acabava assassinado em menos de 15 dias...

Mas pelo menos, teria tentado fazer a diferença... E existe muita, muita gente que morre sem ter alcançado feitos bem mais simples que esse. :)

Iniquidades



Poucas vezes um rosto é misterioso o suficiente para ser capaz de suscitar, por si só, os mais diversos (e subjectivos) debates sobre a natureza humana, e não só.

Este que aqui vedes é Charles Manson, um dos maiores ícones do imaginário americano, por ter sido o mentor de um grupo de errantes que nos longínquos anos sessenta, perpetrou uma série de assassinatos que deixaram em sobressalto todo um país.

Custa-me a acreditar que um velhote com 77 anos, de olhar vazio e assustado, seja ainda hoje capaz de afirmar, perante um psicólogo: "Sou especial. Sou diferente do comum dos detidos. Passei a minha vida na prisão. Enviei cinco pessoas para a sua sepultura. Sou um homem perigoso"...

Mas a verdade é que... É mesmo.

A ciência tenta a todo o custo desvendar os mistérios da mente humana. Mas, a meu ver, jamais conseguirá definir os seus limites, para o bem ou para o mal...

E nos tempos que correm, digamos que este último leva uma vantagem considerável, para o derradeiro assalto do combate pela sobrevivência da nossa própria espécie...

Texto presente na Fábrica de Letras.