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Poesia de Bagageira




Encontrei um sapo zarolho 
Na mala do meu chaço 
Os ciganos do bairro gritaram: 
Ai Lelo, o que é que eu faço???
 
Pobre bicho de peluche 
Que não faz mal a ninguém 
Não merecia tal desprezo 
Destes grandes filhos da mãe! 

Singelo entretém de criança 
Melhores dias já conheceu 
Agora vai ser coqueluche 
Lá para os lados do Romeu! 

Terra perto de Macedo 
Com restaurantes bestiais 
Vou lá amanhã bem cedo  
Abifar os meus queixais

E agora que vos fartastes 
De tão miserável poema 
Pouso a caneta, rasgo o papel 
Destes-me cabo do esquema! 

Retiro-me graciosamente
Vou até vale de lençóis 
Obrigado por me lerdes
Meus queridos rouxinóis!!! 

© Nuno B., Todos os direitos reservados

Dimensões Anormais



Esse dysforme, e rigido porraz
Do semblante me faz perder a cor:
E assombrado d'espanto, e de terror
Dar mais de cinco passos para traz:

 A espada do membrudo Ferrabraz
De certo não mettia mais horror:
Esse membro é capaz até de pôr
A amotinada Europa toda em paz.

Creio que nas fodaes recreações
Não te hão de a rija machina soffrer
Os mais corridos, sordidos cações:

De Venus não desfructas o prazer:
Que esse monstro, que alojas nos calções,
É porra de mostrar, não de foder.

 Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage, 
"Soneto do Membro Monstruoso"

Assim de repente é isto... Só para saberem que ainda não morri! Sim, eu sei que isso vos interessa muito, a vocês os... Err... A ti? Olá? Está aí alguém???

Ora f*d#-se...

Fodanga

Nesta TERRA imensa
Onde sempre é verão,
Não há um ser humano
Que não fique com tesão.


É uma terra danada,
Um paraíso perdido.
Onde todo mundo fode,
Onde todo mundo é fodido.


Fodem moscas e mosquitos,
Fodem aranha e escorpião,
Fodem pulgas e carrapatos,
Fodem empregadas com patrão.


Os brancos fodem os negros
Com grande consentimento,
Os noivos fodem as noivas
Muito antes do casamento.


Coronel fode Tenente,
General fode Capitão.
E o presidente da República
Vive fodendo a nação.


Os freis fodem as freiras,
O padre fode o sacristão,
Até na igreja de crente
O pastor fode o irmão.


Todos fodem neste mundo
Num capricho derradeiro.
E o danado do dentista
Fode a mulher do padeiro.


Parece que a natureza
Nos vem a todos dizer,
Que vivemos neste mundo
Somente para foder.


E você, meu nobre amigo
Que agora me está a ler,
Se não gostou da poesia
Levante-se e vá se foder!!!


(Autor Desconhecido)
(Pudera, se fosse conhecido, tava fodido!!!)

A Normalidade é Uma Ilusão Imbecil e Estéril


Escolho os meus amigos não pela pele ou por outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não me interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também a sua maior alegria.
Amigo que não ri connosco não sabe sofrer connosco.
Os meus amigos são todos assim: metade disparate, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas que lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade de infância e outra metade de velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois vendo-os loucos e santos, tolos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

(by Oscar Wilde)


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